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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Fim do Beco?



O assunto que ganhou destaque nos últimos dias entre músicos e amantes da música foi a recomendação da Promotoria do Meio Ambiente à Semurb para proibir, sob alegação de poluição sonora, eventos no Beco da Lama.
Como advogado e músico sinto-me à vontade em opinar sobre o assunto.
Deixando de lado a paixão pelas artes em geral, acredito que o problema se resolverá com ações que visem, não só o fim da perturbação sonora, mas, sim, a revitalização do Beco da Lama. Convenhamos, é preciso melhorar muita coisa por ali. O cenário é inóspito, nada convidativo. O que nos leva ao beco é a certeza de música boa e nada mais. Melhorar o escapamento de som é necessário, sim! As pessoas que moram no local não são obrigadas a ouvir música até tarde. Morei na beira-mar de Ponta Negra durante 8 anos e sei o que é dormir com barulho. O que o MP precisa fazer é se empenhar em promover, não só o fim da poluição sonora, mas o incentivo à cultura local. Estabelecer limites de som é preciso, porém, intervir para que o Poder Público restaure prédios antigos, melhore a limpeza e iluminação das ruas, divulgue as atrações do centro e da ribeira são, da mesma forma, ações necessárias.  Resolver o problema de alguns moradores é fácil. Melhorar o cenário do centro da cidade demanda empenho e coragem. Estamos muito longe de transformar o centro em uma “Lapa Carioca” ou “Pelourinho”? Se nada for feito jamais conseguiremos. E não pensem que vejo isso como “a causa dos artistas”, não! Vejo como simples obrigação da Administração Pública em zelar pelo patrimônio histórico-cultural.
O Beco da Lama revitalizado atrairia mais público e, consequentemente, incentivaria os proprietários de estabelecimentos comerciais a realizarem as adequações acústicas necessárias.
Beco novo, Beco sempre!


2 comentários:

  1. Muito boa essa discussão. De fato precisa melhorar muita coisa.

    Quando conheci o Rio de Janeiro, observei que nenhum bar aberto possui sistema de som (nem memso cd tocando). Apenas locais fechados possuiam bandas tocando ou coisas do tipo.

    Mas não dá nem para comparar a realidade de Natal com o Rio de Janeiro. Lá a variedade de estabelecimentos é muito maior. Existem muitas casas de cultura, grande parte delas mantidas pelos governos estadual e municipal.

    Natal é carente de espaços culturais e fechar os poucos existentes chega a ser crueldade com os artistas que lutam para poder mostrar seu trabalho.

    Dá pena ver o centro histórico de Natal abandonado, com prédios e casas seculares caindo aos pedaços sem que nenhum órgão faça nada por isso.

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  2. ° Muito bem, concordo plenamente!
    Eles simplesmente colocam a culpa na música ou em qualquer outro foco e esquecem do principal, da Obrigação do governo.
    Uma lástima!

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