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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

AQUI NÃO É MADUREIRA CARA!


Me dêem licença para um desabafo...
Não aguento mais os ditos “sambistas de raiz” de Natal exaltando de forma exagerada o samba carioca.
Tudo bem que o grande berço do samba é o Rio de Janeiro, apesar de seu parto ter se dado na Bahia. Concordo que é no Rio que surgiram os grandes nomes do samba brasileiro como Noel, Cartola e toda aquela trupe que conhecemos bem. Mas vamos com calma! O nosso samba não é igual, e não precisa “querer ser igual”. Não precisamos forçar uma cultura que não é nossa. O samba deles têm mais ginga? Quem disse isso? Pois o nosso além de ginga tem tapioca. E aí?
Alguém deve se perguntar: o que um gaúcho entende de samba, seja lá do Rio ou daqui? Acho que não entendo nada mesmo. Mas sinto que algo está muito errado quando vejo um sambista natalense cantando “Meu Lugar” (bela canção que exalta os recantos de Madureira – bairro carioca) de Arlindo Cruz, de olhos fechados, com uma emoção que não sabe de onde vem. Entristece-me ao ver a idolatria demasiada pelo samba de simpáticos cariocas que de vez em quando desembarcam em Natal e por aqui se instalam. Enquanto isso, o samba do bom e velho Pedrinho Mendes, que para mim equipara-se a qualquer sambista do sudeste, fica esquecido, escanteado, até nos becos do centro da cidade, onde sua música nascera.
Enche o saco escutar: “porque lá no Rio...”, “porque lá na Lapa...” Gente, o Rio é lindo, inigualável, mas o nosso paraíso é aqui, com nosso litoral incomparável, nosso povo, nossa cultura, nosso samba.
Traduzir toda essa beleza em nosso universo boêmio/musical é o que falta para alçarmos vôos maiores. Não o vôo da águia da Portela, mas o vôo da acauã do sertão, matreira, espiando lá de cima a “zuada” lá de baixo. Uma roda de samba natalense, repleta de bambas exaltando Elino Juilião, com uma estátua de Lampeão no centro de uma mesa farta de cachaça, caju e cajá.
Êêê maravilha!


7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Parabéns João!pela sua leitura à respeito do samba,que é cheio de peculariedades seja ele de onde for. Aqui a maioria não costumam valorizar os talentos da nossa terra,esquecendo o samba feito por Geraldo Carvalho, Arquivo Vivo,Quarteto Linha,Krystal,Valéria Oliveira,Pedrinho Mendes e outros tantos maravilhosos.


    Abraços,

    Ceiça Moura

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  3. ° Vejo o cenário potiguar repleto de gente boa, de música legal, de músicos que fazem o que amam e tocam o que gostam e as pessoas insistem em ser de fora, de gostar do que não é da própria terra!
    Como dizem.. o santo de casa não faz milagres?!
    É por essas que a coisa não melhora e toma seu devido espaço!

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  4. Amigo,
    Parabéns mais uma vez! Excelente texto! Repleto de poesia e sinceridade!
    Mas acho que pouco podemos fazer contra este tipo de manifestação - refiro-me ao "falso carioca", aquele que canta "o meu lugar" de olhos fechados!
    Mesmo com a produção local fervendo, ele insistirá em dizer que o que é feito lá fora é melhor.
    Afinal, para ele, a grama do vizinho será sempre mais verde.
    Não vamos perder tempo com isso. Não temos como controlar.
    Melhor é a gente compor um samba sobre as belezas locais, sem regionalismos, sem maiores pretensões. Apenas um samba bom. Coisa nossa.
    Abraços,
    Vinícius Lins.

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  5. Mais uma vez o grande João foi preciso e correto em suas palavras, e comentando as mesmas, volto a maldição de Cascudo, que numa livre tradução diz que: " Pra quem não tem merda nenhuma, qualquer merda serve" começamos pelos falsos sambistas. Onde já se viu uma pessoa gostar de um bom samba e não gostar de um bom forró, são estilos musicais muito parecidos em nossas raízes brasileiras, na verdade quem gosta de um e não gosta de outro é porque tem pouco conhecimento ou é um modista, certa vez vi uma entrevista com Zeca Pagodinho, e entre outras coisas ele dizia que ia abrir uma cervejinha e por um Jackson do Pandeiro pra tocar.. ou seja resumindo, quem gosta de musica gosta de musica boa, seja ela samba ou forró, seja este samba ou forró feito em Natal ou no Rio. Mas tambem não posso deixar de questionar alguns de nossos artistas, os mesmo que dizem defender tanto a nossa cultura, que quando seguram um microfone a primeira coisa que fazem é esquecer a nossa cultura, e eis que filhos de Cabrobró, Caicó, Anjicos, Serra Talhada, Macaiba e etc, começam a destilar um "carioquês" de fazer inveja a qualquer surfista do "Leme ao Pontal", e é um tal "parciiierio" , "já é", "tamo junto", "metxeee o dedo na viola" que me dá ânsia de vomito, particularmente acho q uma das coisas mais inerentes a uma cultura, e que distingue bem culturas diferentes é o sotaque e devíamos sempre valorizar o nosso, grande abraço a todos.


    Isaías Silvério

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  6. eita porra e agora???? um dia Nelson Sargento preocupado com a não "popularização" do samba disse assim:(samba Agoniza mas não morre)não sabia ele que mais de 30 anos depois o SAMBA estaria mais vivo do que nunca. samba esse que navega entre (samba da boca do mato) de Elino Julião, potiguar de carnaúba dos dantas, (saudosa maloca) do "PAULISTA" Adoniram Barbosa, (som sagrado) do carioca wilson das Neves. eu sou doido por samba, "abestaiado" mesmo, gosto mais do SAMBA potiguar, paulista, carioca!!! gosto do SAMBA de "apartamento" e gosto do "fundo de quintal" do SAMBA de BETH e do de CRISTAL. simmmmmm, eu tenho vários sonhos na vida, dentres eles vou citar 03. Entrar no teatro riachuelo, comer uma trufa da cacau show e conhecer o Rio de janeiro!!! kkkkkkkkk. enquanto isso vou curtindo SAMBA, se é do RN ou RJ não entro no mérito, EU QUERO É SAMBA.
    valeu JOÃO mande ver nesse PAPOCO.

    Andrey Feitosa "cheiroso"

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  7. João Henrique sou sua fã, vc e os meninos do LINHA DE PASSE mandam muito bem, parabéns pelo belo trabalho de vcs... Pena morar tão longe e não poder prestiagia-los ao vivo...

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