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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A CULTURA DO SAMBA EM NATAL/RN



“O samba nasceu lá na Bahia, se hoje ele é branco na poesia, ele é negro demais no coração.” (Vinícius de Morais)

Impressionante como em uma única frase o “poetinha camarada” conseguiu expressar toda força e apelo popular do samba brasileiro.
É patrimônio histórico-cultural que não se restringe à lugar determinado, tampouco se permite exclusivo de uma só raça. Se é samba do morro ou do asfalto, se do Rio ou de São Paulo, se é de roda ou de bossa, pouco importa, o samba é nosso!
No nordeste, excetuando-se a Bahia, o samba se manifesta em alguns poucos redutos de boêmios que não se deixam esmorecer pela supremacia do forró.
Aqui em Natal, o “Beco da Lama” é um bom exemplo de que a cultura do samba sobrevive ao tempo, ao modismo, e que mesmo distante dos grandes pólos do gênero, se mostra forte e com características próprias.
Ontem estive no Beco, no aniversário do grupo Arquivo Vivo, e pude observar o quanto o nosso samba é rico e peculiar. O sotaque nordestino do “senhor” cantando Nelson Cavaquinho, ao lado, um jovem sapecando a palheta no cavaco maroto. O fraseado debochado do violonista experiente, cercado de moleques vidrados na execução de suas escalas desconsertantes. O povo que se espreme para entrar no bar em busca de cerveja, e quando sai de copo cheio na mão, caminha “todo bamba”, cantarolando e gingando no compasso da batucada.
O murmurinho constante que só entra em harmonia no refrão: “mais chegou o carnaval e ela não desfilou...”. O tan-tan que se transforma facilmente em zabumba, apimentando a cadência dos sambas de Noel, Cartola e companhia.
Em noites como a de ontem, em redutos como o Beco da Lama, é que percebemos a "aura" da cultura nordestina do samba. É gente que não esconde suas raízes e que não tem vergonha de se mostrar, à sua maneira, “sambista”.
Viva o nosso samba!