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terça-feira, 24 de maio de 2011

IDENTIDADE


“Ei, toca aí um forro!!!!”
“Dá pra tocar alguma coisa mais animada?”
“Toca aí a nova música de Luan Santana!!!”
- Amigo, você percebeu que isso aqui é um grupo de SAMBA?
“Sim, mas tem nada não, toca aí homi!!!”

Quem se apresenta nos bares e casas noturnas certamente já se deparou com algo parecido. As pessoas, salvo raras exceções, não estão muito interessadas na proposta oferecida pelo artista. Original ou não, pouco importa, o que o povo quer é diversão.
Se a banda toca “de tudo” está resolvido o problema, pois agradará a gregos e troianos. Mas sendo assim me pergunto: há identidade nesse tipo de trabalho artístico? Será que o caminho é ser o mais eclético possível, para agradar um número maior de pessoas?
Estaria o artista sendo egoísta por só querer tocar determinado gênero?
No meu pensar, a música, assim como toda a manifestação artística, deve ter uma “cara”, uma “identidade”. A partir daí, quem simpatizar ou se identificar com aquela proposta passará a apreciá-la.
Faço parte de um grupo que se propôs a tocar samba e mpb. Digo com propriedade que a missão não é nada fácil. A resistência é maior que a aceitação.
Porém, uma coisa é certa, quem nos prestigia, quem acompanha o nosso trabalho, cria uma significativa fidelização com o nosso som. Uma espécie de clientela cativa que nos acompanha fielmente, e que nos faz ter a certeza de que nosso trabalho é “verdadeiro”.
O caminho é árduo. Sempre haverá dissidências. O importante é seguir em frente acreditando no que se faz, ainda que as dificuldades se mostrem desmotivadoras.

Esse post é uma pequena homenagem a todo o artista que faz de sua arte uma extensão de suas crenças e ideologias, e que por assim escolher se sujeita a não agradar a todos.

“Vixxx, essa banda é muito fraca, nem toca swingueira!!!”
- Serve Chico Buarque?