Total de visualizações de página

domingo, 31 de outubro de 2010

É de fora? Ah, então é bom!


Queridos amigos, quem quiser acrescentar alguma informação ao post “A História da Música Potiguar fique à vontade. Agora é hora de apimentarmos isso aqui. Vou postar uma reflexão minha sobre o descrédito inexplicável do público natalense com relação à produção musical local. Inexplicável? Tentarei explicar. O título resume bem o que ocorre aqui na nossa cidade. É incrível o valor que os jovens dão aos artistas de fora. E não precisa ser de SP, RJ, MG não! Pode ser de Pernambuco, por exemplo, ou até mesmo da Paraíba. Quem nunca ouviu alguém dizer assim: quem vai tocar lá é uma banda de Recife!!! Como se o fato de ser de Recife fosse suficiente para dizer que a banda é boa. O pior é que a casa lota. Onde foi parar a credibilidade dos artistas locais?
Recordo-me bem que no início dos anos 90 o público prestigiava cantores como Pedrinho Mendes, Sueldo Soares, Nonato Negão entre outros. Quem se lembra das grandes batucadas? Não tinha essa de trazer ninguém de fora não. A prata da casa era valorizada. Onde foi que isso começou a mudar? Alguém se arrisca em dizer? Eu vou arriscar. Isso começou a mudar quando uma empresa local de eventos empurrou goela a baixo a cultura do axé baiano. Artistas como Netinho (Banda Beijo) e Márcia Freire (Cheiro de Amor) começaram a fazer sucesso aqui, para depois estourar na Bahia e no resto do país. Quase toda semana tinha um baiano fazendo show no antigo Circo da Folia. O próprio Asa de Águia apareceu por aqui como um forasteiro desconfiado, mas foi calorosamente acolhido pelo nosso público. Uma avalanche de axé music invadiu as rádios natalenses deixando até o forró por um tempo esquecido. Pronto, o cenário estava montado, faltava apenas o golpe final. Eis que surge, então, o imponente “Carnatal”. É da Bahia? Ah, então é bom! Pobre Pedrinho Mendes... sumiu.
Carnaval agora tinha que ter trio elétrico. O fato é que essa cultura se espalhou como uma verdadeira praga em nossa cidade. A partir de então tudo que não fosse daqui era bom. Recordo-me que até os Cavaleiros do Forró, uma das bandas mais famosas do gênero, ou melhor, uma das mais “pipocadas”, não é assim? Pois bem, vocês acreditam que o grupo, no início, dizia que não era daqui? É verdade. É que na época em que a banda foi formada, meados de 1999, 2000, o forró cearense dominava o mercado. É triste não é?  A falta de credibilidade é tão grande que até a cantora Roberta Sá, nascida em Natal, é vista por muitos como de fora. Já ouvi dizerem que, apesar de ela ter nascido aqui, só teria se tornado uma boa cantora porque morou a vida toda no Rio.
O que podemos fazer pra mudar isso? Quando é que vamos poder ver uma casa de show lotada, com o público prestigiando músicos como Jubileu Filho, Khrystal, Valéria Oliveira e tantos outros? A foto no topo desse post é do Forraço, um dos poucos eventos que ainda valoriza o artista local. Que não sirva de consolo, mas sim de motivação para que outros festivais e movimentos culturais coloquem nossos artistas no lugar que eles merecem estar. Desculpem a minha indignação, mas já está na hora de abandonarmos o papel de meros coadjuvantes e assumirmos o de protagonistas. Vamos à luta! Recife já deu o exemplo com o “Manguebeat”. Opa! É é de Recife? Ah, então é bom!

9 comentários:

  1. Nossa...
    Acredito que este post falou em nome de muitos artistas locais. Concordo em gênero, número e grau. hehehe
    Parangolé com seu rebolation que não te deixa mentir...
    Nossos artistas são cheios de talento, o Linha de Passe que o diga. Creio que o reconhecimento seja um sonho de todos. Mas sei que, assim como eu, muitos apreciam e valorizam a música potiguar. Valeu a iniciativa!!!
    Bjão amor.

    ResponderExcluir
  2. Abordagem extremamente pertinente João. Inclusive vou descrever um fato aqui que, para minha surpresa e decepção, aconteceu em Natal. Uma determinada casa de show anunciava: - "Show com uma banda do Rio de Janeiro"... resultado, casa lotada. Um amigo que foi a festa depois me passou que a banda referida era o Daniel Menezes (prata da casa) que se dizia ser do Rio, e ainda complementou dizendo: - "Eu estou adorando conhecer esta cidade" (Daniel Menezes)... Recado ao Daniel: - Se enxerga cara, vc é filho da terra! Admirava o teu trabalho por aqui mas depois dessa! Um bom dia a todos e que cenas lamentáveis como esta não volte a se repetir por aqui.

    ResponderExcluir
  3. Olá Hique,
    Adorei teu post. É isso aí, filho, não se deve reprimir o que não concordamos, principalmente quando se trata de injustiças.Sim, porque é inadimissivel valorizarmos só os de fora.
    Manda bala,nisto te pareces muito com tuas avós: Senhorinha e Marieta, rsrsrsrs
    Passei por email a letra que pediste para o vô.
    Ele está tão debilitado que não teve coragem de digitar, então me pediu para que o fizesse.
    Um grande e afetuoso abraço.

    ResponderExcluir
  4. Mais uma leitura que nos remete a prostituição cultural em que estamos inseridos. É por isso que digo: qualidade é para poucos ou para aqueles que a buscam. O maior problema do mercado local, na minha opinião, é a prostituição de muitas bandas locais que se metem a formar conjuntos com repertórios fracos, apenas para ganhar um "trocadinho". E o pior é que os empresários locais de bares e boates já estão acostumados a esse mercado e optam por pagar um cachê irrisório ao merecido para um bom artista - já que ao lado de um bom artista local existem mil artistas prostituídos se vendendo a troco de qualquer cachê. Acredito que para isso mudar primeiramente os grandes músicos, bandas não podem entrar nessa onda de cachêzinho pra não perder evento. É melhor tocar menos mostrando qualidade do que tocar inúmeras vezes pra ganhar na quantidade e se desgastar por isso. Outro ponto a ser mudado é a união desses grandes artistas, grandes bandas, em comitês para se reuniremm com os empresários locais, abrir a mente dessa galera que tanto ganha com couvert e só quer pagar cachê de beira de estrada. Ou a classe vai lutar por isso ou vai ser a cada dia mais bombardeada por bandinhas em troco de merrecas para tocar. Quando falamos nas grandes festas é preciso também se reunir com as grandes empresas de eventos em sindicância para cbrar a participação dos artistas locais nos grandes shows. É preciso chamar a mídia local pra isso. Enfim, criações, inovações não faltam. Basta lutar por isso!

    Priscilla

    ResponderExcluir
  5. Olha só.... não é que o cavaco meteu o pau a escrever!!! heheheh.... vai que alguém lê, rs...

    Qto ao assunto me pareceu pertinente, não é de Recife?! wawawawaw!!!

    Desista, a atual molecada já está perdida. Quem sabe daqui seis gerações algo mude. Mas continue escrevendo, mal não faz...

    abs!

    ResponderExcluir
  6. Japinha,
    O "rebolation" é uma exemplo bem atual da invasão da música baiana. Bem lembrado. rsrs
    Um grande beijo.

    Bruno,
    To pasmo com essa de Daniel Menezes. Lembra que gravamos no estúdio dele? Será que foi idiotice do dono da casa de show? Aliás, tendo em vista a valorização dada aos artistas de fora, pode ter sido, na verdade, astúcia dele para encher a casa.
    Abraços.

    Vó,
    Obrigado pela letra. Quanto ao post, você disse tudo: não devemos reprimir o que não concordamos. Essa apatia tem que acabar.
    Bjs.

    Priscilla,
    Quando te falei do blog tinha certeza que viria um comentário bombástico. rsrsrs
    O termo é esse mesmo: prostituição. Soma-se a isso a falta de originalidade de muitos grupos que tem como proposta "tocar de tudo para agradar a Gregos e Troianos". Isso, ao meu ver, não é bom. O principal de qualquer projeto musical, na minha concepção, é a originalidade, a identidade do grupo.
    Seja bem vinda.
    Abraços.

    Ciro Boy,
    Não podemos desistir da molecada. A luta tem que ser constante. Lembra que tentamos inserir no repertório do Vala-me-Deus, em 1997-1998, "Folhas Secas", de Nelson Cavaquinho? A resistência foi grande. A começar pelos próprios integrantes do grupo. rsrs.
    Como competir com "Carrinho de Mão" do finado "Terra Samba"? rsrsrsrs. A consciência musical se conquista aos poucos. Somos prova viva disso. O cavaco meteu o pau a escrever sim. rsrs
    Quero saber se o amigo, que outrora sacolejou pelos palcos da cidade usando macacão e boné, também vai abraçar a causa. rsrsrs
    Grande abraço.

    ResponderExcluir
  7. É João, prefiro atribuir ao dono da casa de show realmente. Abraço.

    ResponderExcluir
  8. Parabéns meu carao amigo João Henrique Koerig pela excelente iniciativa, estarei sempre acompanhado o blog.
    Abraço e sucesso, mais ainda, para o Linha de Passe.

    ResponderExcluir
  9. Meu amigo Dagô,
    Seja bem vindo.
    Aproveite o espaço para expressar seu grande conhecimento musical, como instrumentista e ouvinte de primeira linha.
    JH

    ResponderExcluir