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domingo, 2 de dezembro de 2012

Mudança de postura!

A autoavaliação é uma tarefa difícil para qualquer homem. Definir-se como capaz, incapaz, bom, regular, ruim, é doloroso e cansativo. Nosso ego nos força a enxergar um mundo sempre favorável às nossas impressões, nossas ideias e definições. Todavia, por sermos dotado de racionalidade, é importante, de vez em quando e a muito contragosto, uma pitada de autocrítica diante de certas evidências. Portanto, vamos lá.
Ontem participamos pela segunda vez consecutiva da final do MPBeco (aqui não me cabe questionar o resultado do festival), e durante toda a noite percebi que o público em geral nos encarava com uma certa “desconfiança”. É como se fossemos uma espécie de invasores de um espaço que não é nosso, deslocados de nosso habitat natural. Em conversa com uma amiga me foi dito o seguinte: “o público os veem como elitizados”!
Tratando-se de uma autocrítica, a reação natural de nosso ego seria dizer que “o que importa é a qualidade musical” ou que “nosso público não é esse”. Porém, o que é ser artista afinal? É levar alegria ao povo com sua arte, ou independentemente de arte estar presente no cotidiano do povo? Me parece que a segunda indagação é a mais razoável (olha a pontinha do ego se contorcendo de dor aí no “razoável”, rsrs). Mas é verdade! Durante esses 5 anos de existência do Quarteto Linha, nos preocupamos demais em escolher os locais “adequados” para nos apresentarmos, esquecendo-se muitas vezes de que a essência do samba é o povo!
A ausência nas rodas de samba populares, a falta de encontros informais para fazer um sambinha com os amigos, a busca pela perfeição nos arranjos e interpretações (e tome ego, rsrs), a desculpa de que todos trabalham demais durante a semana, nos deixou distante da grande massa amante do samba.
E ainda há tempo para mudar essa portura? Claro que sim! Uma das virtudes do homem é reinventar-se diante de circunstâncias adversas e, sendo assim, o primeiro passo deve ser dado, alias, acho que reconhecer esses pequenos descuidos (Que ego é esse heim? “Pequenos”? rsrs.) já é um passo importante.
Reflitamos, e sigamos em frente.
Abraço a todos, e viva o samba do povo!


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Quarteto Linha - CD Autoral




Encaminhando-se para o sexto ano de existência, o Quarteto Linha pretende comemorar a data com o lançamento de seu primeiro CD autoral.
O álbum contará com onze faixas inéditas, de autoria de alguns integrantes do grupo, como este que vos fala e Stênio Medeiros, além de Vinícius Lins (ex-integrante e precursor do projeto Linha de Passe) e Isaías Silvério, arquiteto e letrista.
O trabalho autoral leva a assinatura de Diogo Guanabara - produção musical, e Eduardo Pinheiro - produção técnica, contando ainda com a participação de músicos locais, como Erick Von Sosten, Fernando Botelho, Rogério Pitomba, Henrique Pacheco, Kleber Moreira, além do flautista japonês Kyota Nakagawa.
A expectativa é de que o trabalho solidifique não só a trajetória do Quarteto Linha, mas o cenário do samba natalense como um todo pois, a exemplo dos que assim se aventuraram - Arquivo Vivo, Camila Masiso - entre outros, o fato de se apresentar ao público sambas inéditos, além de elevar a auto-estima do artista natalense, fortalece o movimento do samba local.

Espero que a sonoridade agrade a todos!

João Henrique
Quarteto Linha


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Grupo de dança Uyrande.


Em tupi, uyrande significa “O nascer do Sol”.
E é como um raio de sol que esse maravilhoso grupo de dança ilumina as noites natalenses.
Formado por amantes e profissionais da dança, o grupo desfila talento e graça por onde se apresenta. Não importa o local, se nos melhores teatros ou num cantinho de bar, de maneira informal, os pés se entrelaçam chamando a atenção de todos os presentes. Conversas são interrompidas, a mulherada fixa os olhos no casal de dançarinos. Uma verdadeira hipnose coletiva instaura-se no recinto arrancando, em meio a goles de cerveja, suspiros de “ah, como eu queria dançar assim!”.
Do requinte dos passos de tango ao despojado molejo da gafieira, o Uyrande transmite a essência de sua arte com muita alegria e sentimento na ponta dos pés. A música ganha vida traduzindo-se em movimento, a noite se transforma, a beleza invade o salão contagiando a todos.
A turma é da pesada: Djalma Junior, Angélica Oliveira, Priscila Miranda, Pedro Nantes entre outros.
Uma grande família em busca de um ideal – promover a qualidade de vida através da dança.
Sucesso amigos! Viva o Uyrande!






Contato:
+ 55 84 8856-9779

contato@uyrande.art.br

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Se liga que o Bloco da Madame vem aí!!!

Um novo grupo de samba está prestes a mostrar toda sua graça e talento - O “Bloco da Madame”. Formado por nomes já conhecidos do samba natalense, como Vinícius Lins, ex-Linha de Passe, Huguinho do Mesa Doze e Alessandra Macedo, ex-vida alheia, dentre outros, o grupo se propõe a fazer samba de primeira qualidade, reforçando a cena local com muita alegria e bom gosto na escolha do repertório.
A expectativa dos amantes da boa música é grande. Confesso que estou curioso e entusiasmado para vê-los atuando.
Certamente será mais um belo grupo a se somar à turma do Arquivo Vivo, Quarteto Linha, Samboêmios, Roda de Bamba, Canteiros do Samba, Bom Malandro, entre outros.
A verdade é que, em se tratando de projeto encabeçado por Vinícius, podemos ter a certeza de que coisa muito boa está por vir.
O movimento do samba agradece a iniciativa e aguarda com muita expectativa a estréia da banda.  


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Samba4friens - Uma dica.


  No último sábado, 21/04, os amantes do samba se fizeram presentes em mais uma edição do Samba4friends. Dessa vez em um espaço maior, com um público maior e uma atração nacional que viria para selar o sucesso do evento. E como cresceu o Samba4friends!
  Alguns problemas aconteceram, o que é comum em todo evento de grande porte. Mas um em especial insistiu em querer roubar a cena: "o som". Equipamento de som é bicho temperamental, se você desviar a atenção ele lhe prega uma peça, podendo botar tudo a perder. Ocorre que, quando a equipe de som é experiente, consegue logo identificar e corrigir o problema. Esse foi, em minha opinião, o grande erro de produção da noite.
  Ora, a melhor festa de samba de Natal tem que contratar o melhor som e a melhor equipe técnica. O que se viu foi uma equipe extremamente desorganizada, lenta e inexperiente, que não conseguiu corrigir o problema que se mostrou presente desde a primeira apresentação. Nem aumentar o retorno no ponto de Diogo Nogueira o técnico conseguia, o que fez o sambista perder a paciência. Todavia, mesmo visivelmente chateado o cara foi extremamente profissional e conduziu o show até o fim, para delírio do público. Imaginem se fosse Tim Maia?
  Pois bem, que fique a lição, e que esse pequeno, porém importante detalhe, motive ainda mais a dupla dinâmica do samba, Heitor e Daniel, a promover seus eventos com a seriedade e profissionalismo que lhe é peculiar.

....quanto ao fato de uma dita "produtora de palco" ter se achado no direito de mandar baixar o retorno do Quarteto Linha, como forma de obriga-los a parar, isso não merece nem comentário, foi até hilário.

Abraços a todos e viva o nosso alegre e sofrido samba!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

AQUI NÃO É MADUREIRA CARA!


Me dêem licença para um desabafo...
Não aguento mais os ditos “sambistas de raiz” de Natal exaltando de forma exagerada o samba carioca.
Tudo bem que o grande berço do samba é o Rio de Janeiro, apesar de seu parto ter se dado na Bahia. Concordo que é no Rio que surgiram os grandes nomes do samba brasileiro como Noel, Cartola e toda aquela trupe que conhecemos bem. Mas vamos com calma! O nosso samba não é igual, e não precisa “querer ser igual”. Não precisamos forçar uma cultura que não é nossa. O samba deles têm mais ginga? Quem disse isso? Pois o nosso além de ginga tem tapioca. E aí?
Alguém deve se perguntar: o que um gaúcho entende de samba, seja lá do Rio ou daqui? Acho que não entendo nada mesmo. Mas sinto que algo está muito errado quando vejo um sambista natalense cantando “Meu Lugar” (bela canção que exalta os recantos de Madureira – bairro carioca) de Arlindo Cruz, de olhos fechados, com uma emoção que não sabe de onde vem. Entristece-me ao ver a idolatria demasiada pelo samba de simpáticos cariocas que de vez em quando desembarcam em Natal e por aqui se instalam. Enquanto isso, o samba do bom e velho Pedrinho Mendes, que para mim equipara-se a qualquer sambista do sudeste, fica esquecido, escanteado, até nos becos do centro da cidade, onde sua música nascera.
Enche o saco escutar: “porque lá no Rio...”, “porque lá na Lapa...” Gente, o Rio é lindo, inigualável, mas o nosso paraíso é aqui, com nosso litoral incomparável, nosso povo, nossa cultura, nosso samba.
Traduzir toda essa beleza em nosso universo boêmio/musical é o que falta para alçarmos vôos maiores. Não o vôo da águia da Portela, mas o vôo da acauã do sertão, matreira, espiando lá de cima a “zuada” lá de baixo. Uma roda de samba natalense, repleta de bambas exaltando Elino Juilião, com uma estátua de Lampeão no centro de uma mesa farta de cachaça, caju e cajá.
Êêê maravilha!


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Fim do Beco?



O assunto que ganhou destaque nos últimos dias entre músicos e amantes da música foi a recomendação da Promotoria do Meio Ambiente à Semurb para proibir, sob alegação de poluição sonora, eventos no Beco da Lama.
Como advogado e músico sinto-me à vontade em opinar sobre o assunto.
Deixando de lado a paixão pelas artes em geral, acredito que o problema se resolverá com ações que visem, não só o fim da perturbação sonora, mas, sim, a revitalização do Beco da Lama. Convenhamos, é preciso melhorar muita coisa por ali. O cenário é inóspito, nada convidativo. O que nos leva ao beco é a certeza de música boa e nada mais. Melhorar o escapamento de som é necessário, sim! As pessoas que moram no local não são obrigadas a ouvir música até tarde. Morei na beira-mar de Ponta Negra durante 8 anos e sei o que é dormir com barulho. O que o MP precisa fazer é se empenhar em promover, não só o fim da poluição sonora, mas o incentivo à cultura local. Estabelecer limites de som é preciso, porém, intervir para que o Poder Público restaure prédios antigos, melhore a limpeza e iluminação das ruas, divulgue as atrações do centro e da ribeira são, da mesma forma, ações necessárias.  Resolver o problema de alguns moradores é fácil. Melhorar o cenário do centro da cidade demanda empenho e coragem. Estamos muito longe de transformar o centro em uma “Lapa Carioca” ou “Pelourinho”? Se nada for feito jamais conseguiremos. E não pensem que vejo isso como “a causa dos artistas”, não! Vejo como simples obrigação da Administração Pública em zelar pelo patrimônio histórico-cultural.
O Beco da Lama revitalizado atrairia mais público e, consequentemente, incentivaria os proprietários de estabelecimentos comerciais a realizarem as adequações acústicas necessárias.
Beco novo, Beco sempre!